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A luta pela sobrevivência do maior felino das Américas em meio às queimadas históricas no Pantanal
13 de setembro - Onça-pintada é vista em área recentemente queimada no Parque Estadual Encontro das Águas, no Pantanal, perto de Poconé — Foto: Andre Penner/AP

A luta pela sobrevivência do maior felino das Américas em meio às queimadas históricas no Pantanal

Parque que abriga maior concentração de onças-pintadas em todo o mundo teve mais de 70% de sua área atingida pelo fogo

access_time15/09/2020 07:49

Na tarde da última sexta-feira (11/09), um helicóptero da Marinha do Brasil levantou voo com um passageiro incomum: uma onça-pintada. Durante o transporte aéreo, os olhos assustados do bicho, resgatado no Pantanal, em nada lembravam o felino destemido que costumava se aproximar dos barcos, característica que fez com que ele passasse a ser conhecido na região como Ousado.

Horas antes de entrar no helicóptero, o animal havia sido localizado por uma equipe de voluntários que auxiliam no resgate aos animais no Pantanal, que passa pelo pior período de queimadas das últimas décadas.

Ousado estava caído no Parque Estadual Encontro das Águas, na região de Porto Jofre, na cidade de Poconé (MT), quando foi encontrado pelos voluntários, que passavam de barco pela região. O felino estava com as patas queimadas. Ele apresentou postura agressiva e teve de ser anestesiado para que fosse retirado do local.

Localizado no Pantanal, o Parque Estadual Encontro das Águas é considerado o lugar com a maior concentração de onças-pintadas do mundo. Nas últimas semanas, porém, o local se tornou extremamente perigoso para os felinos. Isso porque dos 108 mil hectares da reserva, 77 mil foram atingidos pelo fogo até o momento, segundo dados do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso.

Assim como no parque, o fogo tem avançado com rapidez por todo o Pantanal, que já teve mais de 2,3 milhões de hectares atingidos por queimadas, segundo o Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo). O número representa mais de 15% de toda a extensão do bioma no Brasil, conforme o Instituto SOS Pantanal. A área queimada corresponde, por exemplo, a quase três vezes a região metropolitana de São Paulo, que abriga 39 municípios, ou 15 vezes a área da capital paulista.

De janeiro ao início de setembro, foram registrados 12,1 mil focos de calor no Pantanal, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). É o maior número no período desde 1999, quando o instituto iniciou um monitoramento que se tornou referência para acompanhar as queimadas no país.

Assim como a flora, a fauna do Pantanal tem sido duramente atingida. Há diversos animais carbonizados no bioma. As onças-pintadas que vivem ali tentam fugir do fogo, mas algumas acabam machucadas pelas chamas.

O maior felino das Américas

Estudos apontam que o Brasil detém cerca de 50% das onças-pintadas de todo o mundo — mais de 90% delas estão na América do Sul. No país, o maior felino das américas está presente em diferentes biomas, como Amazônia (onde há mais quantidade da espécie), Pantanal, Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica.

As onças-pintadas são consideradas quase ameaçadas de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, em inglês). Já o Ministério do Meio Ambiente classifica a espécie como vulnerável (quando os estudos apontam que há uma ameaça de que ela possa entrar, posteriormente, em perigo de extinção).

De acordo com estudiosos, as onças-pintadas são consideradas importantes para os diferentes biomas. "Elas são totalmente carnívoras. Por isso, podem controlar a quantidade de presas no ambiente. Por exemplo, podem comer capivaras, veados e queixadas. Como as onças estão no topo da cadeia alimentar, elas não permitem que nenhum animal de nível inferior tenha uma explosão de reprodução", explica a bióloga Lilian Elaine Rampim, coordenadora da associação Onçafari, que atua na preservação de onças-pintadas e lobos-guarás.

As onças-pintadas sofrem ameaças como a expansão do território urbano, que toma áreas nas quais elas habitavam, como a Mata Atlântica. Outra dificuldade enfrentada pela espécie é o fato de serem alvos frequentes de proprietários rurais, que acreditam que eles representam graves ameaças. Para especialistas, falta de apoio do poder público para a preservação do maior felino das Américas.





Por: Vinícius Lemos, BBC

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