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Apetite chinês faz exportação de soja crescer 33% e impulsa agronegócio
Colheita de soja em Sorriso (MT) — Foto: Bruno Bortolozo/TVCA

Apetite chinês faz exportação de soja crescer 33% e impulsa agronegócio

Setor acelerou vendas ao exterior mesmo na pandemia. País comprou 73% da produção neste ano

access_time12/08/2020 11:07

Quando o produtor de soja Rodrigo Pozzobon acelera a picape em direção à sua fazenda, situada no norte de Mato Grosso, no coração do pujante agronegócio no país afirma: "preciso tirar férias para ir à Europa passear, quando passar a pandemia".

A frase desse engenheiro agrônomo resume o estado favorável do agronegócio no país, responsável por mais de um quinto do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.

Uma solidez estimulada pelo cenário favorável da demanda chinesa por grãos para alimentar frangos e porcos em meio à crise do novo coronavírus, pela guerra comercial entre China e Estados Unidos, e pela desvalorização de 25% do real em relação à moeda americana.

Segundo dados oficiais, entre janeiro e julho as vendas externas de soja, principal produto de exportação do país, cresceram 36,3% em volume e 33,3% em faturamento em relação ao mesmo período de 2019. Foram quase 70 milhões de toneladas exportados, por US$ 23,8 bilhões.

De acordo com analistas, isso pode reduzir o estoque de soja do maior produtor mundial do grão aos seus mínimos históricos, apesar da safra recorde deste ano.

Após percorrer uma longa estrada de terra avermelhada, chega-se à "Fazenda Jaçanã", a propriedade de Pozzobon, que possui 2.350 hectares. Situada no município de Vera, a fazenda está dentro de Sorriso, considerada a capital do agronegócio no país, com uma área de 1,5 milhão de hectares cultiváveis, equivalente a metade do território da Bélgica.

Os imensos campos de soja e milho estão vazios. A colheita aconteceu há algumas semanas e já foi vendida para as grandes tradings instaladas na área, como Cargill, Dreyfus, Bunge ou Cofco, que transporta esses grãos principalmente para a China, compradora de 72,6% da produção nos primeiros sete meses do ano.

O cenário favorável no campo brasileiro contrasta com o restante da economia da principal economia latino-americana. Para 2020, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) prevê uma redução histórica de 6% no PIB, apesar do crescimento de 2% na agropecuária.

"Impunidade"

O agronegócio brasileiro, que entre janeiro e julho viu as exportações de carne bovina e suína crescerem respectivamente 32,3% e 51,7%, avança em clima de tensão por causa do aumento do desmatamento, que segue a tendência dos níveis altíssimos registrados no último ano.

Uma vista aérea de Sorriso, Vera ou Sinop, grandes municípios produtores localizados no Mato Grosso, é suficiente para verificar a redução da vegetação original.

A Amazônia estava relativamente protegida da expansão da soja graças a uma moratória negociada em 2006 entre ONGs, empresas e autoridades.

Porém, as tensões aumentaram desde a chegada ao poder do presidente Jair Bolsonaro, abertamente defensor do uso da floresta para atividades de mineração e agricultura.

"Há uma sensação de impunidade no campo que faz com que muitos fazendeiros avancem sobre a floresta, e esse pode estar sendo o caso de áreas que em breve serão convertidas em soja", contou Cristiane Mazzetti, da campanha do Amazonas do Greenpeace Brasil, à AFP.

"Pecamos"

Pozzobon, cuja família de descendência italiana faz parte da migração de produtores vindos do sul do país a partir dos anos 70, acredita que seja possível aumentar a produção sem devastar a floresta. Por exemplo, transformando em áreas de cultivo os milhões de hectares já desmatados e usados para pastagem.

Segundo o produtor, há alguns anos os proprietários rurais são obrigados a deixar 80% de suas fazendas como reserva e usar apenas 20% para cultivo.

"No passado pecamos porque desmatamos, algumas propriedades foram desmatadas mais do que o autorizado. Isso foi corrigido, e tiveram que fazer compensações ambientais", ressalta o engenheiro agrônomo.

A destruição da floresta é uma das origens das queimadas que se espalham pela região amazônica durante a seca, que teve início em julho. Nas proximidades de Sinop, a AFP verificou várias áreas contendo palha seca de milho queimada, que chegavam a entrar na reserva florestal, até sumir naturalmente.

Apesar de proibidas por lei desde julho, as queimadas são principalmente causadas por fazendeiros que usam o fogo para limpar uma área para o pasto ou por invasores que o utilizam para limpar áreas desmatadas.





Por: Por France Presse

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