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Donald Trump fecha acordo para interromper 'shutdown' nos EUA por 3 semanas
Donald Trump anuncia acordo para encerrar paralisação parcial do governo dos EUA — Foto: Kevin Lamarque/Reuters

Donald Trump fecha acordo para interromper 'shutdown' nos EUA por 3 semanas

Nesse período, congressistas devem chegar a algum acordo para segurança na fronteira com o México, um dos motivos do impasse que levou ao 'shutdown'. Caso o impasse continue, o governo pode voltar a ficar paralisado depois de 15 de fevereiro

access_time26/01/2019 09:36

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fechou nesta sexta-feira (25) um acordo para interromper, temporariamente, a paralisação parcial do governo norte-americano – sem incluir o dinheiro para financiar obras do muro na fronteira com o México, ponto que causou o impasse entre governo e oposição e culminou no "shutdown".

Pouco depois do anúncio do presidente, o Congresso aprovou a medida, que financiará os setores que estavam parados por três semanas. Ou seja, assim que Trump assinar o texto, o "shutdown" fica interrompido ao menos até 15 de fevereiro.

A medida foi celebrada como uma vitória para o Partido Democrata, de oposição a Trump. "Esperamos que Trump tenha aprendido a lição", disse o líder do partido no Senado, Chuck Schumer.

Isso porque Trump estava inflexível sobre o orçamento de cerca de US$ 5,7 milhões destinados a obra para o muro na fronteira com o México, rejeitado em dezembro pelo Congresso – o que levou ao chamado "shutdown".

No entanto, o presidente norte-americano continua a fazer questão de uma barreira física na fronteira. Em discurso nesta sexta-feira, ele disse que "não precisaria" ser um muro de concreto em toda a extensão da fronteira. Trump disse, ainda, que "nunca propôs" esse tipo de barreira, e sim um "muro inteligente" – sem especificar de que forma essa cerca seria construída.

Três semanas

Durante essas três semanas, segundo o presidente, os parlamentares dos dois partidos partidos devem trabalhar para encontrar uma solução para a fronteira com o México – isso porque a rejeição dos democratas ao orçamento com o dinheiro da obra do muro levou ao impasse orçamentário que culminou no "shutdown".

Segundo o jornal "Washington Post", a Câmara deve aprovar o texto, e há a expectativa de que Trump receba a aprovação até o fim do dia.

Apesar do retorno momentâneo das atividades de parte do governo, o "shutdown" pode voltar depois de 15 de fevereiro caso o impasse continue. Se isso acontecer, Trump promete declarar emergência nacional – o que o permitiria tomar medidas sem precisar de aprovação do Congresso.

No mesmo dia, a falta de controladores aéreos – categoria que está sem receber por causa do "shutdown" – causou atrasos nos aeroportos dos EUA, inclusive dois terminais na região metropolitana de Nova York.

A presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, afirmou que vai procurar uma saída para o impasse sobre a fronteira com o México. Ela também comemorou a interrupção no "shutdown", e disse que os servidores públicos vão voltar a receber o "mais rápido possível". "Nós nos inspiramos na coragem dos trabalhadores norte-americanos", disse.

'Shutdown' nos EUA

A paralisação parcial do governo dos Estados Unidos completou um mês nesta terça-feira (22) sem acordo orçamentário no Congresso.

Desde 22 de dezembro, boa parte do governo federal está bloqueado pela queda de braço entre os democratas do Congresso e a Casa Branca sobre o financiamento de um muro na fronteira com o México, uma das promessas de campanha do presidente Donald Trump.

Trump se nega a assinar qualquer lei orçamentária que não contemple os US$ 5,7 bilhões considerados necessários para o muro contra a imigração ilegal. Os democratas se opõem ao financiamento da obra por considerá-la "imoral", custosa e ineficaz.

No sábado (19), Trump ofereceu estender a permanência de um milhão de imigrantes prestes a serem expulsos: os "dreamers", jovens que chegaram aos Estados Unidos sem documentos quando eram crianças acompanhados de seus pais, além dos beneficiários dos programas de proteção temporária (TPS, na sigla em inglês).

Nesta terça, o Congresso voltou a funcionar após segunda-feira (21) – feriado nos EUA –, sem ter uma solução à vista.

Em resposta, a líder da maioria democrata na Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, acusou o presidente e os republicanos que controlam o Senado de manter os americanos "reféns".

Efeitos do 'shutdown'

O "shutdown" afeta apenas 0,5% dos trabalhadores americanos, mas influi na confiança dos consumidores, aponta uma pesquisa da Universidade de Michigan. Também prejudica o crescimento do PIB dos Estados Unidos em um momento de desaceleração para a economia mundial, dizem especialistas.

Cerca de 800 mil funcionários federais estão em licença não remunerada, ou trabalhando sem receber. Em áreas sensíveis, como segurança interna e transportes, o pessoal está reduzido ao mínimo.

Os parques nacionais estão sem vigias, vários museus estão fechados, e o funcionamento dos aeroportos está mais lento.

Os funcionários afetados devem receber retroativamente, mas mais de um milhão de trabalhadores terceirizados não receberá por esse período.

"Nunca achei que fosse durar tanto", disse à AFP Carol Lopilato, de 59 anos, que desde 23 de dezembro está tecnicamente desempregada.

Funcionária da Receita Federal americana (IRS, na sigla em inglês) desde 1987, Carol não tem preocupações financeiras e se considera "sortuda".

"Mas, se isso se estender, infelizmente, aumentará a preocupação", acrescenta.

Diante do risco de processos judiciais, Trump evitou usar uma lei de urgência que lhe permitiria passar por cima do Congresso e levar o muro adiante.





Por: G1

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