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Evo Morales é reeleito na Bolívia, aponta corte eleitoral
O presidente boliviano Evo Morales fala durante uma entrevista coletiva no palácio presidencial La Casa Grande del Pueblo em La Paz, na Bolívia — Foto: David Mercado/Reuters

Evo Morales é reeleito na Bolívia, aponta corte eleitoral

Após um processo eleitoral polêmico, o partido de Evo foi declarado vencedor com 47% dos votos. Organização dos Estados Americanos e União Europeia defendem auditoria e, por enquanto, o Brasil não reconhece o resultado.

access_time26/10/2019 10:21

O Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) da Bolívia anunciou a reeleição de Evo Morales com apuração de 100% das urnas. O órgão colocou-se à disposição para auditorias, como sugerido pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e pela União Europeia (UE). Por enquanto, o Brasil não reconhece os resultados.

De acordo com o TSE boliviano, o partido de Evo, o MAS-IPSP, venceu as eleições com 47,08% dos votos (2.888.359, ao todo), contra 36,51% (2.240.920 votos) do partido do opositor Carlos Mesa, o CC (Comunidad Ciudadana). Os votos em branco representaram 1,47% e, os nulos, 3,57%.

Pelas normas eleitorais bolivianas, um candidato vence a eleição no primeiro turno caso atinja a maioria absoluta ou caso consiga mais de 40% dos votos e, ao mesmo tempo, obtenha vantagem mínima de 10 pontos percentuais ao segundo colocado – foi o que ocorreu nesta eleição.

O Tribunal disse estar disposto a realizar auditorias nas apurações. "O Corpo Eleitoral Plurinacional expressa sua disposição de realizar auditorias ao longo do desenvolvimento deste processo, tanto pelos cidadãos, quanto pelas comissões técnicas de organizações internacionais e missões de apoio eleitoral", escreveu em comunicado.

Brasil e OEA não reconhecem
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil afirmou, ainda durante os resultados preliminares, que não reconhecia, a reeleição de Evo Morales. Em um tuíte, o Itamaraty justificou que apoia uma auditoria completa do primeiro turno proposta pela Organização dos Estados Americanos (OEA).

"Considerando-se as tratativas em curso entre a OEA e o governo da Bolívia para uma auditoria completa do primeiro turno das eleições naquele país, o Brasil não reconhecerá, neste momento, qualquer anúncio de resultado final", afirma o Itamaraty, em um tuíte.

Eleição polêmica
A eleição ocorreu no domingo (20). O processo teve uma polêmica, já que havia dois métodos de apuração: um deles, o preliminar, era mais rápido, enquanto o outro, voto a voto, transcorria mais lentamente.

Os resultados dessas duas formas de contar começaram a divergir já no domingo. Enquanto a preliminar indicava a reeleição do presidente Evo Morales, a voto a voto apontava a disputa de um segundo turno de Morales contra Carlos Mesa.

Na Bolívia, um candidato pode ser declarado vencedor no primeiro turno se tiver 50% dos votos mais um, ou se tiver 40%, com dez pontos de vantagem sobre o segundo colocado.

A oposição se manifestou – houve acusações de fraude e protestos nas ruas. A Organização dos Estados Americanos publicou um documento em que qualificava a mudança de tendência inexplicável.

A divulgação da apuração preliminar foi suspensa e apenas a voto a voto continuou a ser divulgada.

Na segunda-feira, o ministro das Comunicações, Manuel Canelas, admitiu que o órgão eleitoral errou ao não deixar claro que havia duas contagens paralelas e explicou que a contagem preliminar tinha sido paralisada quando foi notado que havia uma confusão.

Na terça-feira, o vice-presidente do Tribunal Supremo Eleitoral, Antonio Costas, pediu demissão e afirmou que não tinha participado da decisão de interromper o serviço de apuração preliminar.

Ainda com um impasse nos resultados, os protestos cresceram, e Mesa convocou seus apoiadores a manterem uma mobilização constante até que se declare o segundo turno oficialmente.

Ao mesmo tempo, Evo dizia que venceu no primeiro turno e, nesta quinta, mesmo antes do encerramento da apuração, repetia ter ganhado “graças ao voto rural”. Na véspera, ele havia falado que a Bolívia "está em processo um golpe de estado", em aparente referência aos protestos e à greve indefinida anunciados no país. Ele também afirmou que o país estava em estado de emergência e "em mobilização pacífica, constitucional e permanente".





Por: G1

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