ALUGAR CAMPO
Notícias recentes
Centros comerciais são esvaziados em Samara, na Rússia, após ameaça de bomba, diz imprensa local

Centros comerciais são esvaziados em Samara, na Rússia, após ameaça de bomba, diz imprensa local

access_time28/06/2018 15:08

Três centros comerciais em Samara, uma das cidades-sede da Copa do Mundo da Rússia, foram esvaziados

Cerca de 200 jacarés são transportados no Pantanal de MT para evitar canibalismo e mortes

Cerca de 200 jacarés são transportados no Pantanal de MT para evitar canibalismo e mortes

access_time21/09/2021 07:13

Ameaçados com a seca severa, jacarés estão sendo transportados de uma lagoa para outra por garantia

STJ suspende todas liminares para internação em UTIs em MT

STJ suspende todas liminares para internação em UTIs em MT

access_time20/04/2021 09:32

O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Humberto Martins, suspendeu nesta segun

Guerra gera racha entre Brasil e potências ocidentais no G20
O primeiro-ministro da Italia, Mario Draghi se encontra com o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, ao chegar para a Cúpula do G20 de Líderes Mundiais em Roma
Foto por: Imagem: Alberto PIZZOLI / AFP

Guerra gera racha entre Brasil e potências ocidentais no G20

access_time19/03/2022 10:04

O governo brasileiro se une a outros países em desenvolvimento para tentar blindar as organizações internacionais contra a ofensiva de Estados Unidos e Europa contra a Rússia. O temor do Itamaraty é de que, na lógica de isolar Vladimir Putin, a pressão internacional acabe sequestrando as agências técnicas da ONU (Organização das Nações Unidas), além do trabalho do G20 e outros organismos.

O racha entre as potências ocidentais e os emergentes já ficou claro em alguns fóruns internacionais e, segundo fontes diplomáticas, a tensão pode aumentar à medida que a guerra na Ucrânia se prolongue.

Desde o início da guerra, o Brasil adotou uma postura de votar pela aprovação de resoluções que condenavam o ataque russo. Isso aconteceu no Conselho de Segurança da ONU, na Assembleia Geral e no Conselho de Direitos Humanos. Em discursos, o Itamaraty deixou claro que nada justificava a invasão de um outro país por parte da Rússia e nem rasgar a Carta das Nações Unidas.

Mas a ofensiva liderada por americanos e europeus de neutralizar Moscou foi ampliada e a ordem na diplomacia desses países é a de usar todas as entidades para condenar a Rússia e conseguir seu isolamento político. A meta é não apenas a de sufocar economicamente o Kremlin mas também transformar Vladimir Putin em um pária internacional.

Para isso, americanos e europeus têm liderado uma verdadeira guerra nos bastidores, buscando apoios para que resoluções e medidas sejam adotadas em todos os organismos internacionais e fóruns de debate.

Se o Brasil concorda que a Rússia violou o direito internacional, a preocupação no governo é de que tal movimento acabe contaminando os trabalhos técnicos das entidades que lidam com temas específicos como saúde, educação ou telecomunicações.

Um dos focos é ainda o G20, considerado como o diretório do planeta e onde as maiores economias se reúnem para definir o destino do cenário internacional.

De acordo com fontes do alto escalão do Itamaraty, os diplomatas brasileiros estão trabalhando diariamente para manter o G20 intacto. Ou seja, evitar que o grupo passe a ser instrumentalizado por EUA e Europa para pressionar Putin e que seu mandato seja preservado.

O Brasil, neste ano, está atuando ao lado da Indonésia, que hoje está na presidência do G20 e também defende que o grupo seja mantido como um foro de cooperação econômica e de desenvolvimento, mantendo seus trabalhos.

Tanto o Brasil como a Indonésia votaram da mesma forma na Assembleia Geral da ONU.

Mas, segundo fontes no Planalto, frente a um movimento descrito como sendo de "sequestro" dos organismos internacionais, ambos estão trabalhando para preservar o G20 e o sistema multilateral.

Na avaliação do Brasil, tais espaços precisam continuar sendo "inclusivos e plurais" para dar conta das urgências humanitárias que a guerra está causando, tanto no aspecto de energia como alimentação.

O mesmo vale para a OMC e organizações multilaterais especializadas e técnicas. Na agência de comércio, por exemplo, uma aliança foi montada por americanos e europeus para retirar da Rússia direitos comerciais. Mas nem Brasil, Índia, China, África do Sul e outros emergentes se uniram à iniciativa.

Nesta semana, na Unesco, o Brasil adotou uma postura de abstenção em uma resolução que propunha condenar a Rússia por ataques contra a liberdade de expressão, cultura e educação na guerra. Ao lado do Brasil estavam ainda países como China, Índia e África do Sul.

Mais uma vez, o objetivo da abstenção era o de não chancelar o movimento de americanos e europeus de usar a entidade como instrumento de pressão sobre Moscou.

Mesmo na FAO, o governo brasileiro quer liderar um pedido para que fertilizantes possam ser excluídos da lista de embargos contra a Rússia. Brasília, pressionada pelo agronegócio, irá alegar que tais medidas ameaçam ampliar a fome no mundo.

Na próxima semana, na OIT (Organização Internacional do Trabalho), uma vez mais potências ocidentais vão tentar passar uma resolução contra a Rússia, colocando os emergentes em um teste.

Manipulação russa

Entre diplomatas europeus, há uma compreensão de que a posição brasileira e de outros emergentes poderia fazer sentido. Mas, segundo capitais europeias, um risco maior que o uso das entidades internacionais é a invasão promovida por Putin e a ameaça que ele representa para a segurança europeia.

Um outro temor por parte dos europeus é de que essa postura dos emergentes enfraqueça a mobilização internacional para punir o Kremlin pelos crimes cometidos na Ucrânia e que permita brechas para que Putin mantenha uma invasão que a Corte Internacional de Justiça já declarou que precisa ser encerrada de forma imediata.

Para os europeus, o próprio governo russo já está se utilizando desse racha na comunidade internacional para dizer à sua população de que não existe um isolamento internacional do país.





Por: Jamil Chade é Colunista do UOL

Outras notícias

Comentários