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Merkel repudia violência e palavras de ordem nazista em protestos
Chanceler alemã, Angela Merkel, discursa nesta quarta-feira (12) no Parlamento alemão — Foto: Markus Schreiber/AP Photo

Merkel repudia violência e palavras de ordem nazista em protestos

Cidade de Chemnitz foi palco de manifestações de extrema-direita contra imigrantes após morte de alemães

access_time12/09/2018 07:32

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmou nesta quarta-feira (12) no Parlamento alemão que "não há desculpa" para o ódio, a violência contra estrangeiros e o uso de palavras de ordem nazistas, após os protestos ultradireitistas no país, que classificou como "detestáveis".

Em seu discurso no debate dos orçamentos para 2019, a chanceler disse entender a indignação dos cidadãos em relação aos recentes atos de violência, que supostamente foram cometidos por imigrantes, e afirmou que a Justiça cairá sobre os culpados, independentemente de sua nacionalidade.

Merkel estava se referindo à morte de dois alemães em dois casos diferentes nas últimas três semanas, para os quais quatro requerentes de refúgio foram presos. Depois desses casos, manifestantes da extrema-direita saíram às ruas na cidade de Chemnitz para protestar contra imigrantes.

Na maior manifestação realizada na cidade, da qual participaram 6 mil pessoas, neonazistas fizeram uma saudação com o braço estendido e homens mascarados jogaram pedras e garrafas contra um restaurante kosher gritando "judeus fora da Alemanha". Em outro protesto, na véspera, vários estrangeiros foram atacados e feridos nas ruas.

Para Merkel, "não há desculpa ou justificativa" para as manifestações que se seguiram ao incidente em Chemnitz.

Merkel reconheceu que, ao se manifestar, os cidadãos expressaram o quão "confusos" estão e que a obrigação da classe política é "levar a sério" as preocupações da população.

A cidade alemã que se tornou o centro de batalhas entre neonazistas e manifestantes de esquerda

Mas, ao mesmo tempo, ela se referiu ao primeiro artigo da Lei Fundamental alemã onde diz que "a dignidade humana é inviolável" e acrescentou que, respeitá-la e protegê-la é obrigação de todo o poder público, assim como do restante da população.

Contra generalização
A chanceler também alertou contra a generalização de regiões e populações específicas, se referindo aos que consideram o leste da Alemanha, e em particular o estado federado da Saxônia, um bastião da extrema-direita.

Ela observou que "as generalizações estão erradas e totalmente fora de lugar", e lembrou que esse mesmo princípio é aplicável quando se refere aos solicitantes de asilo que residem na Alemanha.

"Não vamos permitir grupos inteiros sejam marginalizados", disse Angela Merkel, ressaltando que judeus, muçulmanos, cristãos e ateus fazem parte da sociedade alemã.

Merkel lembrou que, em um Estado de Direito, as regras existentes "não podem ser substituídas por emoções".





Por: G1

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