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Adélio Bispo, pouco depois de ser preso por ter esfaqueado o então candidato Jair Bolsonaro - 06/09/2018 | Foto: Divulgação/Polícia Militar

No governo Lula, PF escondeu operação sobre ligação entre PCC e caso Adélio

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Minas Gerais em março deste ano

access_time20/04/2023 09:28

Em 14 de março deste ano, a Polícia Federal (PF) cumpriu seis mandados de busca e apreensão em escritórios e casas de ex-advogados de Adélio Bispo de Oliveira, que tentou matar o então candidato à Presidência Jair Bolsonaro, em setembro de 2018, em Juiz de Fora, Minas Gerais. No entanto, a instituição escondeu essa informação, ao contrário do que costuma fazer com todas as operações.

A informação foi divulgada na quarta-feira 20, pela Folha de S.Paulo. Na edição de ontem, o jornal noticiou que um inquérito da PF apurou o pagamento de R$ 350 mil, realizado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), a uma empresa do advogado Fernando Magalhães. Magalhães e Zanone Oliveira Junior defenderam Bispo depois do crime.

A ação envolvendo os advogados foi incluída na Operação Habeas Pater, iniciada para investigar suposta venda de sentenças de um desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) para beneficiar traficantes ligados ao filho do advogado.

Os seis mandados da operação realizada pela PF foram cumpridos por policiais da Diretoria de Inteligência em Belo Horizonte e Juiz de Fora. As ordens foram expedidas pelo juiz Bruno Savino, da 3ª Vara Criminal de Juiz de Fora, ainda em 11 de novembro, mas a operação foi deflagrada apenas em março deste ano.

“É razoável inferir que o pagamento fracionado de R$ 315 mil tenha constituído auxílio prestado pela referida facção para o custeio dos honorários dos advogados do autor do atentado, lançando mão dos recursos movimentados pelo citado Setor de Ajudas do PCC”, argumentou o juiz Bruno Savino, na decisão que autorizou as buscas.

Até agora, com informações dos celulares dos advogados e o material apreendido nas buscas de 14 de março, a PF confirmou o pagamento fracionado de R$ 350 mil pelo Setor de Ajudas do PCC ao escritório que defendeu Adélio; que os advogados de Adélio criaram um grupo em um aplicativo de mensagens (WeChat) chamado “Adélio-PCC”, onde os defensores definiam estratégias jurídicas. Uma ligação do advogado com um suposto integrante da facção também faz parte da investigação.

Zanone e seus sócios deixaram a defesa no final de 2019. Eles sustentam ter recebido R$ 5 mil de um patrocinador de quem nunca revelaram o nome. Assim como Zanone, Magalhães também afirma que não têm qualquer relação com o PCC.

Até então, dois inquéritos da PF concluíram que Adélio agiu sozinho, e a Justiça acatou laudos de insanidade mental, fazendo com que ele fosse considerado inimputável. Ele cumpre medida de segurança na penitenciária federal de Campo Grande (MS).





Por: Redação Oeste

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