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Kiev é o estopim da crise, afirma o presidente russo

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O presidente russo, Vladimir Putin, repetiu que as forças de Moscou cumpriram com o “seu dever” ao capturar três navios da Ucrânia na costa da Crimeia. Para o chefe do Kremlin, as declarações recentes do líder ucraniano soam como uma ameaça de “guerra total”.

Segundo Putin, Kiev foi o estopim da crise, que teria como objetivo provocar um impacto na eleição ucraniana, prevista para março de 2019. “Estamos a apenas alguns meses da eleição presidencial na Ucrânia, e o atual chefe de Estado está, se não me engano, em quinto lugar nas pesquisas de opinião. Ele deve fazer alguma coisa para criar obstáculos para seus adversários”, disse o líder russo durante uma conferência econômica nessa quarta-feira em Moscou.

“Trata-se sem dúvidas de uma provocação organizada pelo governo ucraniano e por seu presidente atual. Essa provocação serviu de pretexto para impor a lei marcial”, continuou, em alusão à medida, que o Parlamento ucraniano votou na segunda-feira 26 e que entrou em vigor na quarta-feira.

 “Aliás, gostaria de lembrar que foram os marinheiros ucranianos que entraram nas águas territoriais russas e que não responderam aos avisos de nossa Guarda Costeira. Como nossos guardas deveriam reagir? Eles apenas cumpriram seu dever militar, que consiste em proteger a integridade territorial de nosso país”, explicou Putin.

Os últimos nove marinheiros capturados pela Rússia que deviam comparecer diante de um tribunal foram colocados em detenção provisória, até 25 de janeiro, como aconteceu na véspera com outros 15 militares. Uma detenção "ilegal" e um ato de "barbárie", denunciou Kiev.

A chancelaria ucraniana anunciou ter enviado uma nota de protesto ao ministério russo das Relações Exteriores considerando que esses homens são "prisioneiros de guerra" e exigindo a sua libertação "imediata".

Esse foi o primeiro confronto militar aberto entre Moscou e Kiev desde anexação da Crimeia em 2014 e o início de um conflito armado no leste da Ucrânia entre forças ucranianas e separatistas pró-Rússia que deixou mais de 10 mil mortos.





Por: Radio France Internationale

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