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Profissões em extinção: um artesão sob medida
O alfaiate Alexandre Mirkai, ao lado do filho, na loja em Indianópolis. na zona sul de São Paulo | Foto: Cristyan Costa/Revista Oeste

Profissões em extinção: um artesão sob medida

Num mundo cada vez mais apressado, ainda há quem insista em preservar tradições de um tempo que aparentemente já passou

access_time20/02/2023 08:50

Tirar a medida do cliente, desenhar o modelo no papel, cortar o tecido e costurar na máquina e à mão, resume o alfaiate Alexandre Mirkai, sobre o processo de criação de um traje social. Aos 84 anos, ele atua há 60 nesse ofício, numa loja em Indianópolis, bairro da zona sul da capital paulista. O ateliê funciona no mesmo local desde 1961. Mirkai chega às 6 horas, uma hora antes dos funcionários, faz e serve o café da manhã. Depois, começa a cortar as peças e prepará-las para a costura. Só vai embora às 17h30.

“O tempo que dura para um terno ficar bem-feito é de 50 horas”, afirmou o homem de estatura baixa, cabelos grisalhos e voz calma, enquanto acaricia os botões da camisa social branca feita sob medida, contrastando com a calça preta e o par de sapatos social de couro da mesma cor. “Dificilmente, encontra-se gente interessada em se aperfeiçoar nisso. Hoje em dia, com a digitalização, os jovens querem aprender as coisas em dois tempos e já sair ganhando muito dinheiro. Ser alfaiate requer bastante paciência, algo que praticamente não se tem mais.”

Segundo Mirkai, precisa-se de dez anos para um alfaiate adquirir “maioridade” na profissão. “Leva mais tempo que para formar um médico e, infelizmente, nem todos estão dispostos a isso”, observou, ao mencionar que, em 2005, chegou a abrir uma escola de alfaiataria, fez propaganda, mas os alunos não apareceram. Hoje, vê-se obrigado a assistir, com pesar, a seus concorrentes da indústria têxtil, do e-commerce e das roupas vindas da China “vencerem” a batalha contra o bom gosto e a elegância. Mirkai aprendeu desde cedo com dois de seus ídolos: o alfaiate Vicente Farina, que costurava para a cantora e atriz Carmen Miranda e para o ex-presidente Getúlio Vargas, e Kalman, seu pai.

De origem húngara, o patriarca da família também era alfaiate. O homem abriu a primeira loja na Vila Isabel, zona leste de São Paulo. Com 12 anos, Mirkai já mostrava interesse por agulhas, máquinas de costura e tecidos. Aos 15, iniciou na profissão, um ano depois já conseguia fazer um traje completo. Quando chegou aos 18, no Exército, passou a cuidar da roupa de um capitão, para ganhar folga aos sábados e domingos. Casou-se, aos 22, com uma professora de piano. “Nunca pensei em fazer outra coisa, se não ser alfaiate”, garantiu.

Enquanto observava as prateleiras cheias de tecidos dobrados de várias cores no térreo da loja, Mirkai recordou-se das roupas inusitadas que já fez. Uma delas foi uma fantasia de rei, encomendada por um cliente para participar de um concurso de Carnaval. “Foi um barato”, disse. “A filha dele até trouxe a pedraria para pôr naquela longa capa”, recordou, ao sorrir e ajustar a armação dos óculos que quase desaparecem em seu rosto longo e fino. Mirkai também fez uma batina idêntica à de um padre franciscano para um amigo, o vice-presidente da Transbrasil, usar numa festa em um cruzeiro.

Embora não se considere um saudosista, os olhos de Mirkai brilham ao se recordar de como as pessoas se vestiam antigamente. “Para ter ideia, usava-se terno para ir ao cinema”, conta. “Meu sogro era metalúrgico. Saía de casa usando terno, gravata e chapéu. Eu fazia ternos até para servente de pedreiro. Infelizmente, o hábito de andar com classe está acabando. Não sei o que vai acontecer com a alfaiataria no futuro. Sei que vou continuar trabalhando com o que amo: fazer roupas.”





Por: Cristyan Costa da Revista Oeste

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