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Tabaco, maconha e cigarro eletrônico elevam riscos relacionados à Covid-19
Fumantes estão no grupo de risco da Covid-19 — Foto: TJMG/Reprodução

Tabaco, maconha e cigarro eletrônico elevam riscos relacionados à Covid-19

'Fumantes são mais vulneráveis a vírus respiratórios que os não fumantes', explica José Miguel Chatkin, presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia

access_time18/04/2020 13:16

Os riscos do cigarro para a saúde das pessoas são conhecidos, mas a Covid-19 criou novas preocupações para os fumantes. Abaixo, o G1 esclarece dúvidas sobre a ação do coronavírus no organismo dos tabagistas.

Dúvidas respondidas pelos especialistas:

  • Quais riscos os fumantes correm em relação aos não fumantes?
  • Como a fumaça age nos pulmões?
  • O que pode acontecer com alguém que fuma e se infecta com o coronavírus?
  • Quem fuma pode ser considerado grupo de risco?
  • Como o cigarro eletrônico afeta os pulmões? E quais riscos ele traz?
  • Como a maconha atua nos pulmões, ela tem os mesmos efeitos que o tabaco?
  • Há diferenças na forma como cachimbo, charuto e narguilé atuam nos pulmões?


1- Quais riscos os fumantes correm em relação aos não fumantes?
Fernando Didier, pneumologista do Hospital do Coração (HCor), afirma que uma das preocupações em relação aos fumantes é o fato deles levarem as mãos ao rosto e à boca, tocando em outras superfícies que podem estar contaminadas pelo coronavírus, sem poderem higienizá-las adequadamente enquanto fuma.

Jose Miguel Chatkin, presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), afirma que o tabagismo está associado a desfechos desfavoráveis em Covid-19. "Já foi possível apontar que ser fumante está significativamente relacionado com sintomas mais graves".

2- Como a fumaça age nos pulmões?
Didier explica que as fumaças do tabaco, da maconha ou do narguilé, queimadas ou vaporizadas, são nocivas às células respiratórias já nos primeiros contatos. Elas levam à inflamação que se estende do nariz até as estruturas microscópicas responsáveis pela absorção do oxigênio, chamadas de alvéolos.

Chatkin explica que o uso prolongado de tabaco, de qualquer maneira, atinge o trato respiratório em toda sua extensão.

3 - O que pode acontecer com alguém que fuma e se infecta com o coronavírus?
Didier afirma que apesar de ser recente, pode-se dizer que há um aumento da chance dos pacientes fumantes desenvolverem as formas mais graves ou até chegarem à morte por causa da Covid-19.

4 - Quem fuma pode ser considerado grupo de risco?
Segundo Didier, os fumantes são um grupo de risco para a Covid-19. "Quem fuma, quem já fumou ou já tem doença pulmonar crônica identificada é, sim, grupo de risco".

Chatkin afirma que os estudos iniciais mostram que o tabagista ativo está associado aos seguintes riscos, quando comparados a uma pessoa não fumante:

  • 1,4 vez maior de sintomas graves
  • 2,4 vezes maior de necessidade de ventilação mecânica

Chatkin aponta ainda que há mais facilidade para os tabagistas contraírem o vírus pelos rituais do ato de fumar, envolvendo movimentos repetidos da mão à face.

5 - Como o cigarro eletrônico (vapers) afeta o pulmão? Quais riscos ele traz?

Didier explica que o cigarro eletrônico, antes da pandemia, foi associado a dezenas de mortes nos Estados Unidos. Segundo o pneumologista, o dano já acontece nos primeiros minutos de uso. "Isso deixa claro que o mecanismo de agressão pulmonar da fumaça desse dispositivo independe da presença de um vírus".

Chatkin diz que o uso de cigarros eletrônicos e os de tabaco aquecido estão relacionados a maior frequência de infecções respiratórias, especialmente virais e possivelmente também ao novo coronavírus.

Ele explica que os sintomas mais comuns relatados por usuários deste tipo de cigarros, são: tosse seca, boca seca, garganta seca ou irritada.

O médico chama a atenção para a inalação da fumaça por não usuários. "O material exalado pelos usuários de cigarro eletrônico pode ser inalado por outras pessoas, especialmente em ambientes fechados. A inalação passiva de gotículas e substâncias vaporizadas também pode ter efeitos adversos significativos à saúde."

6 - Como a maconha atua no pulmão? Ela tem os mesmos efeitos que o tabaco?
Didier fala que há estimativas que afirmam que o dano de um cigarro de maconha equivale a 5 cigarros de tabaco, "porém há alguma compensação pelo fato de serem consumidos menos cigarros de maconha".

Chatkin afirma que a folha da maconha é muito semelhante a do tabaco. "Ambas quando são queimadas para produzirem fumaça a ser inaladas, produzem muitos produtos tóxicos. Calcula-se em mais de 7,5 mil substâncias"

Segundo o médico, os mais frequentes danos do uso continuado da maconha são neuropsiquiátricos. "Mas também ocasionam sintomas respiratórios, como piora da asma, exacerbações de bronquite crônica".

7- Há diferenças na forma como cachimbo, charuto e narguilé atuam nos pulmões?

Segundo Didier, o cachimbo e o charuto trazem risco de câncer de pulmão, bronquite crônica e enfisema menores que o cigarro convencional, um dos motivos é que os consumos deles, normalmente, são feitos em menor frequência e por haver inspiração menos profunda, sem tragar.

"Entretanto essas formas são bastante relacionadas a câncer de boca, língua e garganta. O risco de charuto e cachimbo na Covid-19 ainda não foi bem definido, porém acredita-se que qualquer inalação de fumaça traga algum grau de risco adicional".

Notas sobre a questão do fumo e a Covid-19
A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) diz que o tabagismo causa ou aumenta o risco de complicações de dezenas de doenças, como: as doenças cardiovasculares isquêmicas (insuficiência vascular periférica, infarto do miocárdio e derrame cerebral), as doenças respiratórias (bronquite e enfisema) e diversos tipos de câncer.

Sobre a Covid-19 a SBPT afirma que a doença é muito recente e, por esse motivo, ainda não existem evidências fortes sobre a sua relação com o tabagismo. Mas que o observado até agora mostra que o número de pacientes graves, ou seja, que necessitam de UTI, foi maior entre os fumantes.

Outro ponto de preocupação da SBPT é o compartilhamento de cigarros que aumentam o risco de contaminação com o coronavírus. Esse compartilhamento pode ser feito com pessoas infectadas, muitas das quais estão assintomáticas ou com poucos sintomas da Covid-19.

O Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) afirma que os tabagistas têm seu sistema respiratório prejudicado pelo fumo, e se infectados pelo coronavírus, podem ter sua saúde ainda mais ameaçada.. "Devido a um possível comprometimento da capacidade pulmonar, o fumante possui mais chances de desenvolver sintomas graves da doença".





Por: Marcelo Valadares, G1

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