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Corpo de criança vítima do deslizamento no Morro da Boa Esperança é levado para ser enterrado — Foto: Cristina Boeckel/G1

Tragédia em Niterói Estudo de 2009 alertava para possível deslizamento em morro no RJ onde 15 morreram

Estudo de professor da UFF recomendava monitoramento constante; moradores relatam interdições anteriores. Prefeitura alega que local não estava em mapeamento de áreas de alto risco

access_time12/11/2018 15:07

O rompimento e o deslizamento de uma pedra no Morro da Boa Esperança, que deixaram 15 mortos confirmados até esta segunda-feira (12), não eram um incidente iminente para a Prefeitura de Niterói, na Região Metropolitana do Rio. No entanto, um professor da Universidade Federal Fluminense fez um levantamento completo da região e dizia, já em 2009, que o risco de deslizamentos na região era "médio", e que todos os morros da cidade precisavam deste acompanhamento.

Segundo relatório, o morro precisava de monitoramento constante por causa da possibilidade de deslizamento e das construções irregulares na área. O estudo foi feito a pedido do Ministério das Cidades e da Prefeitura de Niterói.

O que aumentou o risco de deslizamento, segundo Elson Nascimento, professor da Escola de Engenharia da Universidade Federal Fluminense, foi a ocupação irregular, que mudou a forma de drenagem da água da chuva e pode ter causado infiltrações que deixaram o solo úmido.

No ano passado, a Defesa Civil de Niterói interditou casas na comunidade. "A prefeitura já sabia que ia acontecer. Falou que ia tomar providência e não tomou providência nenhuma", contou a empregada doméstica Rosimeri da Silva.

Uma das vítimas do deslizamento no Morro da Boa Esperança se chamava Maria Madalena. Dez anos atrás, a casa dela já tinha sido atingida por outro deslizamento. A vítima foi morar com um vizinho e, pouco tempo depois precisou voltar para a casa onde morreu no último sábado (10).

Em 2010, o subsecretário de Defesa Civil assinou laudo interditando a casa da empregada doméstica Sandra da Silva Francisco por risco de desabamento. "A Defesa Civil tinha condenado o lugar, pedimos ajuda, fizemos um cadastramento do Minha Casa, Minha Vida e o aluguel social, foi tudo muito demorado, tivemos que voltar", disse Sandra.

Apesar dos laudos, relatos e do histórico de deslizamentos, o prefeito de NIterói, Rodrigo Neves, disse no domingo que o Morro da Boa Esperança não é uma área de alto risco.

Responsabilidade
Diretora de Recursos Minerais do Estado do Rio, Aline Freitas da Silva disse que a responsabilidade pelo monitoramento de risco do local era da Prefeitura de Niterói. "Nós não tínhamos mapeados nem tínhamos sido solicitados para fazer esse mapeamento aqui", explicou.

Em entrevista neste domingo, o prefeito Rodrigo Neves afirmou que não havia indicativo de risco. "Não sou técnico da área, mas nas três esferas de governo, seja federal, estadual e municipal, nenhum estudo indicava como área de alto risco", disse ele.

Segundo o coronel da Defesa Civil de Niterói, Wallace Medeiros, as chuvas que ocorreram antes do deslizamento de sábado não foram fortes o suficiente para transformar a área em um local de alto risco de deslizamentos. Para ele, a comunidade não possui sirenes funcionando, mas talvez não fosse o suficiente para evitar a tragédia.

"Nesse fato específico não houve chuva que ocorresse em volume necessário para que se deflagrasse um deslizamento. Se houvesse a sirene na comunidade, não teria sido utilizada" , disse o coronel.

Segundo o prefeito e o presidente do Departamento de Recursos Minerais, o deslizamento era imprevisível. O departamento disse que vai fazer um estudo completo. A Secrataria Nacional de Defesa Civil anunciou que vai liberar recursos para a cidade. E o prefeito disse que também vai tomar providências.

"Eu vou pedir ao governador eleito que implante sistema de sirenes, Bonsucesso, Esperança e Caniçal pra que a gente possa ter nessas três comunidades o sistema de sirenes funcionando", finalizou Rodrigo Neves.





Por: Danilo Vieira, Luciana Cordeiro e Priscila Chagas, TV Globo

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