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Notícias com a tag: Amazonas

Governador do Amazonas, Wilson Lima, é alvo de operação da PF

access_time30/06/2020 08:13

Uma operação do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal cumpre na manhã desta terça-feira (30) oito mandados de prisão temporária, além de pedidos de buscas e apreensão em 14 endereços de pessoas ligadas ao governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC). As medidas, que fazem parte da Operação Sangria, foram determinadas pelo ministro Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e incluem o bloqueio de bens no valor R$ 2,976 milhões, de 13 pessoas físicas e jurídicas. A investigação apura a atuação de uma organização criminosa instalada no governo do Amazonas com o objetivo de desviar recursos públicos destinados ao combate à pandemia de covid-19. Foram identificadas compras superfaturadas de respiradores, direcionamento na contratação de empresa, lavagem de dinheiro e montagem de processos para encobrir os crimes praticados. Todas as operações teriam a participação direta do governador Wilson Lima. A subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo sustenta que as investigações permitiram "evidenciar que se está diante da atuação de uma verdadeira organização criminosa que, instalada nas estruturas estatais do governo do estado do Amazonas, serve-se da situação de calamidade provocada pela pandemia de covid-19 para obter ganhos financeiros ilícitos, em prejuízo do erário e do atendimento adequado à saúde da população". Em um dos contratos investigados foi encontrada suspeita de superfaturamento de, pelo menos, R$ 496 mil. Os respiradores foram adquiridos por valor superior ao maior preço praticado no país durante a pandemia, com diferença de 133%. No esquema identificado pelo MPF e pela Polícia Federal, o governo do estado comprou, com dispensa de licitação, 28 respiradores de uma importadora de vinhos. “Os fatos ilícitos investigados têm sido praticados sob o comando e orientação do governador do estado do Amazonas, Wilson Lima, o qual detém o domínio completo e final não apenas dos atos relativos à aquisição de respiradores para enfrentamento da pandemia, mas também de todas as demais ações governamentais relacionadas à questão, no bojo das quais atos ilícitos têm sido praticados", destaca Lindôra Araújo. Estão sendo apuradas suspeitas da prática de peculato, delitos da lei de licitações, organização criminosamente, lavagem de dinheiro, e crimes contra o sistema financeiro.

Índios Yanomami denunciam risco de massacre em reserva no AM e RR e exigem saída de garimpeiros

access_time27/11/2019 12:47

Lideranças da Terra Indígena Yanomami, localizada nos estados de Roraima e Amazonas, divulgaram uma carta aberta em que voltam a denunciar a presença de garimpeiros ilegais na região e alertam para risco de um massacre na reserva. O texto, que é assinado por lideranças da etnia Yanomami e Yekuana, foi elaborado durante uma reunião que ocorreu na reserva, na região do Demini, em Roraima, na semana passada. Ele foi lido pela deputada federal Joênia Wapichana (Rede-RR) durante audiência pública na Câmara dos Deputados na terça (26). No início deste mês, uma manifestação de garimpeiros deixou a BR-174, principal rodovia de Roraima, fechada por quatro dias. O ato foi em protesto contra a operação que desmontou focos de garimpo ilegal na região e para cobrar a regularização da mineração em áreas indígenas, projeto em fase de estudo pelo governo federal, mas rechaçado pelos índios. "Os garimpeiros estão envenenando as pessoas e contaminando nossos rios, nossos peixes, nossos alimentos e espantando nossa caça. Sabemos que o mercúrio usado no garimpo está contaminando nosso povo", diz um dos trechos da carta. "Essa é a mensagem de todos os Yanomami e Ye’kwana juntos para todo o planeta". No documento, as 116 lideranças que participaram da reunião e elaboraram a carta cobram que o governo retire os garimpeiros que estão na região e impeça a entrada de novos, citando tensão e casos de violência que ocorrem na área em razão da presença de invasores. "Trazem todo tipo de bebidas, drogas e doenças. Eles têm muitas armas e são violentos também entre eles. Eles matam uns aos outros e enterram os corpos na beira dos rios ou jogam nos rios", relataram os indígenas relembrando também mortes em conflitos por causa do garimpo, como massacre de Haximu que na década de 90 deixou 12 índios mortos na região. "Nossos avós e tios morreram por causa dos garimpeiros. Nós não queremos repetir essa história de massacre". A carta, que é endereçado ao Executivo e Legislativo Federal, também diz que os índios "decidem de forma coletiva, escutando vários pensamentos de homens, mulheres, xamãs, jovens, lideranças tradicionais, todos reunidos. E isso deve ser respeitado pelo governo brasileiro". "As nossas riquezas são os nossos conhecimentos tradicionais, a nossa saúde, nossos rios limpos e nossas crianças crescendo felizes. Os garimpeiros estão destruindo a nossa riqueza", escreveram, afirmando que "o governo tem o dever de acabar com isso e trabalhar para cuidar da saúde dos povos Yanomami e Ye’kwana e proteger a terra-floresta". Procurado pela reportagem para comentar as denúncias feitas pelas lideranças indígenas, um representante do movimento de garimpeiros em Roraima disse que "há ONGs e grupos estrangeiros que estão por trás dos indígenas, os manipulando conforme seus próprios interesses". "Existem muitas distorções e a gente sabe que a população indígena não só do nosso estado, mas de todo o país é tratada como massa de manobra", disse Clayton Alves. "Se a gente for ver a fundo situação dos indígenas em Roraima e no Brasil vai ver o quanto é precária e quanto foi usada por governos passados". Maior terra indígena do Brasil Com quase 10 milhões de hectares a reserva Yanomami é a maior terra indígena do Brasil, e tem atualmente cerca de 27 mil índios. O território também contém a referência confirmada de um povo indígena isolado, além de seis outras referências em estudo, de acordo com a Fundação Nacional do Índio (Funai). A estimativa da Funai é que há entre 7 e 10 mil garimpeiros operando ilegalmente na Terra Indígena. Já a Hutukara Associação Yanomami fala em 25 mil garimpeiros na área. Um estudo feito em 2016 pela Fiocruz apontou que mais de 90% dos indígenas que vivem em uma comunidade do Rio Uraricoera, uma das regiões mais afetadas pelo garimpo ilegal na reserva yanomami, tem alto índice de contaminação por mercúrio. O metal, que é altamente tóxico, é usado para separar o ouro dos demais sedimentos e acaba lançado em rios, igarapés e na atmosfera.